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Fome e Coronelismo


 A partir da década de 1940 a questão das desigualdades sociais aparecia sob novo olhar , que passava ainda pela presença do latifúndio , da monocultura e também do subdesenvolvimento. Em seus livros Geografia da Fome e Geopolítica da Fome , publicados respectivamente em 1946 e 1951, Josué de Castro procurou analisar a questão de desnutrição e da fome das classes populares , explicando-as com base no processo de subdesenvolvimento , o qual gerava desigualdades econômicas e sociais entre os povos que, no passado, tinham sido alvo de exploração colonial no mundo capitalista. Defendia a educação e a reforma agrária como elementos essenciais para resolver o problema da fome no Brasil. Outro autor, Victor Nunes Leal, em seu livro Coronelismo , Enxada e Voto:  O Município E O Regime Representativo no Brasil, publicado em 1948 , apresentava o coronel vinculado à grande propriedade rural , principalmente no Nordeste , como a base de sustentação de uma estrutura agrária que mantinha os trabalhadores rurais em uma situação de penúria , de abandono e de ausência de educação. A relação entre as desigualdades e as questões raciais voltou a ser analisada na década de 1950 , numa perspectiva que envolvia a situação dos negros na estrutura social brasileira. São exemplos os trabalhos de Luiz Aguiar Costa Pinto, que em 1953 publicou. O Negro No Rio de Janeiro, e de Roger Bastide e Florestan Fernandes , que também em 1953 lançaram o livro Negros e Brancos em São Paulo . Eles abordaram essa questão do ponto de vista das desigualdades sociais, procurando desmontar o mito da democracia racial brasileira , e colocaram o tema da raça no contexto das classes sociais.  Na década de 1960, alguns trabalhos podem ser tomados como exemplos da continuidade dessa discussão. Florestan Fernandes ( A Integração do Negro na Sociedade de Classes) , Octávio Ianni (Metamorfose do Escravo) e Fernando Henrique Cardoso (Capitalismo e Escravidão No Brasil Meridional) analisaram a situação dos negros no Sudeste e Sul do Brasil. Com seus trabalhos , demonstraram que os ex-escravos foram integrados de forma precária , criando-se uma desigualdade constitutiva da situação que seus descendentes vivem até hoje. Muitos outros autores , desde então, analisam essa questão , que continua presente no nosso cotidiano.

Origem Das Células Procarióticas e Eucarióticas


Acredita-se que as primeiras células , ou seja, os primeiros organismos surgiram quando moléculas de lipídios da sopa nutritiva dos mares primitivos espontaneamente se organizaram em estruturas membranosas, que passaram a envolver uma mistura de ácidos nucleicos e moléculas de proteína. Essas primeiras estruturas , bastante simples estrutural e funcionalmente , teriam surgido há cerca de 3,5 bilhões de anos , e poderíamos considerá-las como células procarióticas primitivas. Essa células seriam , inicialmente , anaeróbicas e realizavam a fermentação; posteriormente que teriam surgido as células procarióticas fotossintetizadoras, que teriam introduzido o O2 na atmosfera terrestre , e finalmente , teriam surgido os procariontes aeróbicos , que utilizavam o O2 pra a respiração. As primeiras células eucarióticas teriam surgido , provavelmente , há cerca de 1,5 a 2 bilhões de anos. Essas células teriam se originado  a partir de células procariótica anaeróbicas , que passaram a desenvolver evaginações da membrana plasmática , tornando-se maiores e mais complexas ; a penetração da membrana plasmática no citoplasma teria dado origem às organelas citoplasmáticas membranosas e à própria  membrana nuclear ou carioteca. Dentre as organelas membranosas , apenas as mitocôndrias e os cloroplastos parecem ter tido uma origem diferente . Acredita-se que essas organelas teriam se originado de seres procariontes que passaram a desenvolver uma relação simbiótica com células eucarióticas anaeróbicas primitivas. Supõe-se que alguns desses seres eucariontes anaeróbico unicelulares teriam como hábito englobar bactéria aeróbica, introduzindo-as nos seus citoplasmas. Ao invés de digeri-las , teriam iniciado uma relação simbiótica , em que os dois tipo de organismos se beneficiavam ; as bactérias obtinham proteção e o eucarionte primitivo aproveitava a capacidade da bactéria de realizar a respiração , aumentando a eficiência no aproveitamento da energia , pois a respiração é um processo no energético muito mais eficiente que a fermentação. No curso da evolução , esses procariontes aeróbicos teriam dado origem às mitocôndrias os atuais eucariontes. algum tempo depois de estabelecida essa associação , alguns procariontes fotossintetizadores teriam estabelecido uma relação simbiótica com alguns seres eucariontes que já apresentavam associação com procariontes aeróbicos. Dessa dupla associação , teriam surgido os eucariontes fotossintetizadores , sendo que os cloroplastos se originaram dos procariontes que já realizavam a fotossíntese.  Certos microrganismos que vivem nas condições atuais da terra fornecem fortes evidências de que essa sequência evolutiva poderia ter ocorrido . Por exemplo , existe uma espécie de ameba , a Pelomyxa palustris,  que não possui mitocôndrias , mais abriga em seu citoplasma uma bactéria aeróbica , em uma relação simbiótica permanente . Existem , também , vários casos de organismos eucariontes atuais que apresentam simbiose permanente com algas azuis como acontece com a espécie Cyanophora paradoxa. O cientistas acreditam que as células eucariontes surgiram pela evolução de células mais simples. Existem evidências de que as mitocôndrias e os plastos de células eucariontes sejam descendentes de bactéria (procariontes) que invadiram células eucariontes ancestrais e com elas estabeleceram relação de cooperação.


Nova Divisão Internacional do Trabalho


Uma nova divisão internacional do trabalho começou a consolidar-se a partir da década de 1970, com o processo de globalização em alguns países subdesenvolvidos. Estes passaram a apresentar parques industriais relativamente diversificados e ampliaram as exportações de bens fabricados em suas industriais. A globalização econômica e financeira aprofundou a concorrência entre os países capitalistas. As empresas , para tornar-se mais competitivas , fundiram seus capitais ou formaram associações em forma de redes mundiais de produção. De várias maneiras, acelerou-se ainda mais a concentração de capital e o poder das empresas multinacionais. A atuação das multinacionais , principalmente , contribuiu para a estruturação de uma nova organização da produção em nível mundial.  Essas empresas, depois da Segunda Guerra Mundial, intensificaram a transferência de parques industriais para outras regiões do mundo, com o objetivo de aproveitar as vantagens que os governos dos países subdesenvolvidos ofereciam , como doação de terrenos e incentivos fiscais, além da mão-de-obra barata , da legislação trabalhista mais favorável às empresas , de um mercado consumidor em expansão, de leis ambientais menos rigorosas, etc. Nas últimos décadas , a estratégia dessas empresas modificou-se. As multinacionais , em muitos casos , passaram a realizar o processo produtivo por meio de  subcontratação de outras empresas, em diversos países do mundo. Esse mecanismo, alem de exigir menores investimentos , permite maior flexibilidade: mudar as empresas subcontratadas , por exemplo, ou deslocar a produção rapidamente para regiões onde as oportunidades de lucro tornaram mais vantajosas.  Com essa nova divisão internacional do trabalho , vários países subdesenvolvidos passaram a disputar entre si os investimentos das multinacionais , ampliando vantagens fiscais, mantendo baixos níveis salariais, modificou as leis trabalhistas , investindo recursos públicos para a formação e qualificação de mão-de-obra adequada às necessidades das empresas . E todo esse esforço sob permanente risco de que, de uma hora para outra, a multinacional resolva mudar os investimentos para outro país qualquer , mais vantajoso naquele momento.

O Desenvolvimento Sustentável


 O conceito de Desenvolvimento Sustentável começou a ser elaborado em 1973 , um ano depois da Conferência de Estocolmo; no entanto. Esse conceito alcançaria projeção internacional apenas em 1987, com a divulgação , pela ONU , do relatório "Nosso Futuro Comum". Esse conceito parte do princípio de que o atendimento às necessidades básicas das populações , no presente , não deve comprometer os padrões de vida das gerações futuras. A utilização de recursos deve ocorrer de acordo com a capacidade de reposição da natureza, de forma que o crescimento econômico não venha a agredir violenta e irreparavelmente os ecossistemas e possa , ao mesmo tempo, reparar os graves problemas sociais. A viabilização do desenvolvimento sustentável exige também o estabelecimento de políticas governamentais , ações empresariais e da sociedade civil ; exige a elevação do nível de vida significativa da população da Terra , que vive em condições da população da Terra , que vive em condições subumanas ; exige , por fim , a modificação dos padrões de consumo das sociedades do mundo desenvolvido , as quais devem diminuir a demanda por recursos da natureza e a produção de resíduos sólidos , líquidos e gasosos. Ao analisarmos os padrões de crescimento econômicos dos países desenvolvidos e considerando o modelo de desenvolvimento capitalista , o qual supõe um aumento constante na produção de mercadorias e na geração de serviços, a expressão "desenvolvimento sustentável ou sustentado" parece até contraditória . "Desenvolver" , na concepção do sistema capitalista , quase sempre significou "crescer economicamente explorando ao máximo o que a natureza pode oferecer , sem se preocupar com o que esse crescimento produz em termos de dejetos , de lixo". De fato, a implantação de linhas de ação que estimulem um desenvolvimento cuja prioridade seja a diminuição da pobreza , da desigualdade social e a conservação do ambiente , exige mudança nos mecanismos de distribuição da riqueza gerada pelo crescimento econômico , o que , por sua vez , exige alterações nas relações de trabalho , na estrutura fundiária, na arrecadação de impostos e na aplicação dos recursos governamentais , sobretudo no mundo subdesenvolvido. Exige , também , modificações nos atuais padrões de produção de mercadorias , seja na agricultura, onde agrotóxicos são utilizados em larga escala , seja na indústria , que lança milhares de toneladas de dejetos no ambiente.

O Processo de Ocupação Do Sertão Nordestino E Da Amazônia


A luta contra os franceses foi o principal fator que levou os portugueses  a se estabelecerem em alguns pontos do litoral nordestino, chegando ao Pará em 1616. O interior do Nordeste e da Amazônia continuava praticamente despovoado nessa época. época somente a partir de meados do século XVI e que começou de fato a ocupação  do interior do Nordeste, impulsionada pela pecuária,  e da Amazônia,  cujas principais atividades econômicas  foram a colheita dos produtos da floresta e a pesca. A ocupação  do interior nordestino pela pecuária  partiu de dois núcleos  principais: Bahia e Pernambuco. Da Bahia, as fazendas de gado chegaram ao Rio São  Francisco  já  em meados do século XVI. Daí, seguiram duas rotas:

- Uma para o Sul , Rio acima , onde as fazendas tiveram maior desenvolvimento a partir do princípio  do século  XVIII , quando o povoamento das Minas aumentou a procura de carne. 

- a outra , atravessando  o Rio,   em direção ao Norte, começando a ocupação do atual Estado do Piauí,  no final do século XVIII. Aí as fazendas encontraram melhores condições : mais chuva, rios permanentes e, consequentemente, melhores pastos. Do Piauí as fazendas avançaram para o Maranhão e o Ceará, estas encontrando as que tinham ultrapassado a Paraíba e o Rio do Norte, oriundas de Pernambuco. A ocupação através das fazendas de gado, embora abrangendo quase todo o interior nordestino, sempre apresentou baixa densidade demográfica ! pois as fazendas necessitavam de poucos trabalhadores. Além da pecuária , praticamente nenhuma outra atividade se desenvolveu em toda essa área , a não ser pequenas roças em que eram produzidos alimentos para o pessoal das fazendas. o comercio também tinha pouca expressão . Alguns núcleos de povoamento mais expressivos desenvolveram use às margens dos poucos rios perenes da região, como São Francisco e o Parnaíba. As condições naturais da Amazônia não favoreciam a agricultura nem a criação de gado. Sua ocupação , portanto, devia ser feita por outros meios, que levassem em consideração a imensa floresta e os seus grandes rios. Esses meios foram logo encontrados:

-Floresta fornecia produtos de grande valor comercial como o cravo , a canela , a. castanha, o cacau e a própria madeira;

-rios ofereciam variadas e ricas especies de peixe. 

Os índios prestaram na Amazônia valiosa colaboração aos colonizadores, pois estavam em seu ambiente natural, e atividades como a colheita florestal, a caça e a pesca já eram inerentes ao seu modo de vida. Foi na segunda metade do século XVII que teve inicio efetivamente a penetração pelo vale amazônico, estabelecendo-se em suas margens numerosos núcleos de povoamento. Os pioneiros dessa ocupação [ foram os missionários de algumas ordens religiosas, principalmente jesuítas e carmelitas]. 


O Congresso De Viena E A Restauração


Diante das grandes mudanças ocasionadas pela difusão dos ideais da Revolução Francesa, com a expansão napoleônica, as monarquias tradicionais se uniram para conter a onda de transformações que se alastrava. Com a derrota de Napoleão , representantes dos maiores Estados europeus reuniram-se no Congresso de Viena para traçar uma estratégia de reconstrução política da Europa. Tomando como base o princípio da legitimidade , calçado na tradição, optou-se pela restauração das dinastia europeias afastadas pela expansão da Revolução Francesa. Desse modo, o Antigo Regime foi, em parte, preservado na Europa Central e na Oriental. Na França, as intensas modificações trazidas pela revolução fizeram com que o governo restaurado ,  Bourbons , na figura de Luís XVIII, se estabelecesse como uma monarquia constitucional, em que as instituições representativas , como a câmara eletiva , e o fim da servidão é dos privilégios- conquistas revolucionárias- fossem mantidos. Na prática, as decisões do Congresso de Viena, sob a liderança das principais nações coligadas - Prússia, Rússia, Áustria e Inglaterra - , alteraram significativamente o mapa político europeu. A França teve de restituir a maioria dos territórios obtidos com a conquista napoleônica , ficando sob ocupação durante cinco anos, até que uma pesada indenização aos vencedores fosse quitada. A Prússia, a Rússia e a Áustria ampliaram sua territórios , reduzindo as divisões políticas na Europa, sobretudo na Alemanha e na Itália , e ascendendo como grandes potências. Na Espanha e em Portugal , foram restauradas as dinastias Bourbon e Bavança, respectivamente. A Inglaterra foi bastante beneficiada pelas decisões do Congresso , com o estabelecimento da livre navegação dos mares e rios e a garantia de suas novas bases navais no Sul da África, no Mediterrâneo (Ilhas Jônicas e Malta) e no Ceilão . Para garantir as disposições do acordo de paz e reprimir novos movimentos revolucionários , em 1815, decidiu-se pela assistência mútua entre os soberanos de direito divino. Um pacto diplomático supranacional conhecido como Santa Aliança foi assinado pelas principais monarquias da nova ordem europeia, com exceção da Inglaterra. Entretanto, o objetivo de impelir as guerras e revoluções e, com isso, instalar uma paz duradoura foi apenas parcialmente alcançado . No plano da política externa, garantiu-se relativa estabilidade. De 1815 e 1914, houve poucas e localizadas guerras na Europa, nenhuma envolvendo mais dois grandes Estados. Na situação interna dos reinos e nações, porém, a restauração foi parcial e o compromisso político revelou-se instável. Logo , as oposições aos "novos velhos regimes" se insurgiram contra eles.


O Protocolo de Kyoto


(...) Concluído em 11 de dezembro de 1997 em Kyoto , no Japão, o documento [Protocolo de Kyoto] impõe a redução das emissões de seis gases causadores de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento do planeta : CO2 (Dióxido de carbono ou gás carbônico), CH4 (metano), protóxido de nitrogênio (N2O) e três gases flúor (HFC ,PFC e SF6). Países industrializados se comprometeram a reduzir , até 2012 , as suas emissões de dióxido de carbono a níveis pelo menos 5% menores do que os que vigoravam em 1990. As reduções variam segundo as emissões dos países industrializados: -6% para Japão e Canadá , 0% para Rússia , -8% para 15 países da União Europeia, -21% para Alemanha , -12,5% para Grã-Bretanha , -6,5% para Itália, 0% para França, +15% para Espanha. Este país, no entanto, emite atualmente mais 45% em relação a 1990. (...) Os países do sul têm obrigação apenas de fazer um inventário. O tratado determina a diminuição do uso de energias fósseis , como carvão, petróleo e gás, que representam 80% dessas emissões . O uso desses combustíveis aumenta com o crescimento econômico. Os Estados Unidos, que teriam que reduzir suas emissões em 7% , preveem um aumento de 35% em 2012, o que explica sua decisão, em 2001, de abandonar o protocolo. O governo Bush considera o tratado "fatalmente fracassado". Um dos argumentos é que não há exigência sobre os países em desenvolvimento para reduzirem as suas emissões.  Bush disse ser a favor de reduções por meio de medidas voluntários e novas tecnologias no campo energético. Como esse país emite cerca de 40% dos gases causadores de efeito estufa no conjunto de países industrializados e cerca de 25% em relação ao nível mundial, o alcance do protocolo de Kyoto será limitado , no que também contribui a ausência da Austrália. A redução global das emissões será de cerca de 2% em 2012 em relação a 1990 , em relação aos 5,2% inicialmente previstos . No entanto , representa uma redução da ordem de 15% para os 36 países industrializados em função do aumento previsível de suas emissões. O protocolo já foi ratificado por 141 países, dos quais 30 industrializados. A ratificação da Rússia , efetivada em novembro de 2004 , permitiu a entrada em vigor do tratado. Os países com metas a cumprir podem adotar os chamados mecanismos de flexibilização , que são três: a troca de direitos de poluição entre eles (quem cumprir sua meta pode vender "créditos" a quem ainda está por fazê-lo), a compra de créditos da Rússia (o chamado "ar quente") e o MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), no qual os créditos são comprados dos países subdesenvolvidos. A Convenção do Clima se pauta sobre o princípio das responsabilidades comuns , mas diferenciadas, ou seja, os países subdesenvolvidos contribuíram menos para o problema , portanto, não pagam a conta no primeiro momento. As maiores economias entre esses países, como Brasil, China, Índia e México, não tem metas a cumprir , mas sua participação deverá ser negociada num segundo período de reduções , após 2013. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo foi criado com base numa proposta brasileira durante a conferência em Kyoto. Ele prevê investimentos dos países com metas a cumprir a reformulação do modelo energético dos países subdesenvolvidos , para obter "créditos de carbono". O tratado prevê penalidades para quem não cumprir as metas de redução, como dobrar o compromisso num segundo período (que ainda está por ser negociado). 

Http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u12926.shtml ; http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u39714.shtml (acesso em 16.02.2005). Folha de S.Paulo, 16 de fevereiro de 2005. P. A-16.


A Conferência de Estocolmo


Em 1972, em Estocolmo, na Suécia , representantes de 113 países reuniram-se debater questões relativas ao meio ambiente. Nessa primeira mobilização em torno do tema , conhecida por Conferência de Estocolmo , os países participantes defenderam duas posições distintas sobre a relação entre crescimento econômico e preservação ambiental. A primeira posição defendia o crescimento econômico a qualquer preço. Esta via seria a solução para pôr fim à miséria em muitos países do mundo. O Brasil pertencia a este grupo e chegou a propor que as indústrias altamente poluentes seriam bem-vindas ,caso quisessem instalar-se no país. A segunda posição alertava que , mantidas as tendências de crescimento econômico. Esta proposta ficou conhecida por política do crescimento zero. A política do crescimento zero foi rejeitada pela maioria dos países , inclusive do bloco mais desenvolvido , e praticamente nada ficou acertado em relação às medidas comuns que precisam ser tomadas para evitar uma catástrofe ambiental. Mas, sem dúvida , a Conferência de Estocolmo constitui um marco na tomada de consciência de que a preservação do ambiente depende da cooperação de todos os países, pois as soluções duradouras dependem de ações realizadas em todo o planeta.



O Período Homérico (XII a.C - XVIII a.C)


De 1200 a 800 a.C. O mundo grego passou por uma etapa de transição entre o mundo dos palácios e o das cidades que floresciam posteriormente. Quatro século enigmáticos, chamados de "séculos obscuros". Um período mal conhecido , no qual ocorreu o desaparecimento do sistema burocrático , a extinção do comércio de longo curso e o abandono da escrita. A ausência de documentos escritos confere enorme importância à pesquisa arqueológica , que sublinha uma enorme diversidade de modos de vida na Grécia. Existem formas precoces de cidade, comunidade agrárias coletivistas , grupos nômades e , quem sabe , outros modelos de vida em sociedade. De qualquer maneira , os indícios apontam o predomínio de uma sociedade agropastoril. Os homens viviam em pequenas células agrícolas definidas como genos ou comunidades gentílicas. Nelas prevalecia uma economia coletivizada e a liderança das famílias , chefe político e líder religioso. A preservação do passado se fazia pela  tradição oral , em que poetas, chamados aedos, contavam a História por meio da poesia. Para tornar suas narrativas mais atraentes aos ouvintes , os aedos as iam ampliando , geração após geração. Ninguém na plateia estava preocupado em apurar a verdade. O essencial era a beleza e a emoção que a narração poderia despertar. Durante o século VIII a.C, logo após o período homérico, um indivíduo chamado Homero teria reunido essas histórias nas epopeias Ilíada e Odisséia. (Ninguém sabe ao certo se essas epopeias foram ambas escritas por Homero.) Por trás dessas obras , havia séculos a fio de uma poesia até então oral , composta recitada e transmitida pelos alelos aedos sem o auxílio de uma só palavra escrita. Esses dois poemas épicos narram a Guerra de Tróia e o regresso de Ulisses a Ítaca. Na Ilíada é narrado o último ano da guerra, ocorrida séculos antes da época de Homero, durante o período micênico , provocada pelo rapto de Halena, filha do rei de Esparta , por Paris , príncipe de Tróia. Helena era tão bela e tinha tantos pretendentes que seu pai promoveu uma grande reunião com todos os interessados e obteve deles um compromisso : qualquer que fosse o escolhido por ela , os demais se comprometiam a defender o casal contra as ofensas que pudesse sofrer.  O escolhido foi Menelau , que , assim, também tornou-se rei de Esparta. A vida transcorria serena até o dia em que Páris conheceu Helena e por ela se apaixonou. Não tendo sido um dos preteridos e não estando, portanto , amarrado ao compromisso firmado por estes , raptou a amada e levou-a para Tróia.  Agamenon , irmão do ofendido Menelau , convocou todos os antigos pretendentes à mão de Helena , lembrou-lhes o pacto de fidelidade e organizou a primeira expedição contra Tróia. Foram desde longos anos de luta em que a sorte pendeu ora para um lado, ora para outro. Finalmente Ulisses , um guerreiro espartano sem nenhum poder extraordinário , a não ser uma cabeça fértil para inventar truques e expedientes, criou o estratagema da vitória: um grande cavalo de madeira capaz de abrigar alguns guerreiros em seu interior. Os troianos , que consideravam o cavalo um animal sagrado , recolheram o presente deixado diante do protão de suas muralhas ,  acreditando ser um reconhecimento da derrota por parte dos gregos , e passaram a noite comemorando a vitória. Os soldados escondidos dentro do cavalo aproveitaram a festa para sair, incendiar e destruir Tróia. Essa é a origem da expressão "presente de grego". Estudos arqueológicos contestam vários episódios narrados na Ilíada. As mais recentes escavações feitas no local levaram a concluir que Tróia não foi destruída por um incêndio. Há provas claras de que o que houve ali foi um terremoto. Diante disso, o historiador inglês Moses Finley , falecido em 1986 , propôs que se retirasse definitivamente a Guerra de Tróia dos livros de História. Segundo ele, não há uma só prova consistente de que a guerra entre troianos e gregos tenha acontecido. Por mais que os historiadores e arqueólogos tentem demonstrar o quanto há de verdade e mentira nas europeias gregas , o que parece prevalecer na memória do homem comum é a imagem poética da lenda , que tem contornos muito mais fortes do qual a realidade.  Em Homero fica claro que a guerra  era um dos valores primordiais dos gregos. Rivalizar , competir , era o único modo de ser digno de deuses. A excelência humana era conferida principalmente pela bravura e habilidade na batalha. O mundo grego considerava a violência como algo absolutamente natural e um meio para se obterem metais e escravos. Vemos também na descrição de Homero o germe de uma concepção mais ampla da excelência humana: a que une o pensamento à ação. Como na esperteza do jovem Ulisses a usar o cavalo de madeira para vencer os troianos e, consequentemente , a guerra.  Para mesopotâmios e egípcios, os deuses eram os principais responsáveis pelo bem ou pelo mal que advêm aos seres humanos. Para Homero , os deuses ainda estão muito envolvidos nos negócios do homem , mas o poeta converte o indivíduo numa personagem decisiva para os destinos do mundo. Os homens homéricos tributam respeito aos deuses , mas escolhem seu próprio caminho, chegando às vezes a desafiá-los . Buscam seus objetivos e enfrentam seus problemas ; os deuses podem ajudá-los ou frustá-los , porém , o êxito ou o fracasso só aos homens pertence.


A Globalização , As tecnologias de Informação E Os Serviços


O processo de globalização , em particular , e as mudanças provocadas pela introdução das tecnologias de informação criaram e vêm criando novos ambientes , novas relações  de trabalho , novos hábitos de consumo e promoveram uma revolução na maneira de fazer negócio e no modo de vida da sociedade atual. Nesse contexto , em que se configura  ma sociedade denominada da informação , estrutura-se oque alguns economistas chamam de Nova Economia, formada pelas empresas "ponto.com", que exploram área de tecnologia de telecomunicações , informática e Internet. É o caso das empresas produtoras  de softwares (programas de computadores) e de hardwares (equipamentos de informática (; dos provedores de Internet ; das empresas de e-comerce, das empresas de telecomunicações e das prestadoras de serviços que utilizam as tecnologias de informação. Dada a particularidade dessas atividades e do nível de avanço tecnológico que agregam , foi criado no mercado de ações dos EUA , o Índia Nasdaq , que mede o desempenho dos negócios das empresas de alta tecnologia (inclui também as empresas de biotecnologia). As situações decorrentes da nova economia tiveram forte implicações no espaço geográfico . As relações econômicas , os contratos e uma série de atividades humanas passaram a ser realizadas sem que as pessoas precisassem e deslocar de um lugar para outro. É possível atuar em diversos lugares sem estar presente em nenhum dele: ou seja , o espaço , em certo sentido e em determinadas situações , também tornou-se virtual. O desenvolvimento tecnológico, além de ter reduzido muito o número de postos de trabalho nas indústrias , em virtude da automação e da robotização , gerou uma gama de profissões ligadas ao processamento de informações , como é ocaso dos setores de telecomunicações e informática . Com a globalização da economia e o crescimento do mercado internacional, também tiveram grande desenvolvimento as atividades ligadas à circulação de mercadorias (transporte e comércio) , ao turismo , ao setor financeiro , aos serviços de telecomunicações e aos negócios realizados por meio da Internet. Outra grande ameaça das transformações tecnológica é o fato de serem excludentes, porque marginalizam uma parte importante da mão-de-obra e tornam o mercado de trabalho cada vez mais seletivo  e competitivo . A maioria dessas novas profissões formação e qualificação, impedindo os trabalhadores menos qualificados de conseguir uma novo emprego . Além disso , mesmo para os que estão empregados, há necessidade de treinamento constante , participação em cursos de atualização e requalificação, em função da velocidade das transformações tecnológica.  A  indústria  e a agricultura deixaram de ser os principais setores da economia em diversos países do mundo : foram superados pelo setor de serviços juntamente com as atividades comerciais tanto em população ocupada como em valor de renda gerada. Somente a atividade turística gera cerca de 6% do PIB mundial. Nos países subdesenvolvidos há ainda uma parcela significativa de trabalhadores no setor primário . O mesmo não acontece nos países chamados de emergentes (como Brasil, México , Argentina e outros), onde a participação do setor terciário é dominante. Nos países desenvolvidos é o setor terciário que absorve  a maior parte da PEA, mais de 60%. Em seguida vem o secundário e , muito depois,  o setor primário. A importância dos serviços e do comércio nos países desenvolvidos pode ser exemplificada pelos Estados unidos, onde o setor terciário emprega cerca de 3/4 da PEA e representa a mesma proporção da renda da economia. Atualmente , boa parte das exportações norte-americanas é de serviços e não de mercadorias . Para se ter uma ideia da importância dessas exportações , embora há  mais de uma década o país apresente o maior déficit  mundial no comércio de serviços. Esse processo de significativo  crescimento do setor terciário é denominado terciarização da economia.  Nos países subdesenvolvidos , o deslocamento de empregos dos setores primário e secundário para o terciário registra a ampliação da economia informal ou subterrânea . São pessoas que lutam pela sobrevivência como vereadores ambulantes , catadores de materiais recicláveis e , também , outras atividades ilegais comuns nas grandes cidades brasileiras e do mundo subdesenvolvido. Note-se que essas atividades da economia informal não são exclusivas desse conjunto de países , uma vez que estão presentes também - em número bem mais reduzido, é claro - em países desenvolvidos.


A Cidades E As Multidões


A contraposição à pujança e ao otimismo burguês era dada pelos mais impressionantes símbolos exteriores do novo mundo  industrial : as cidades e multidões. A intensa migração e a explosão demográfica fizeram das grandes cidades - especialmente Londres e Paris, mas também Berlim, Viena e São Petersburgo , no continente europeu , e Chicago e Melbourne , no além-mar - espaços onde se concretizava o ritmo da transformação industrial. Esses locais tornaram-se a expressão maior da contradição que se desenvolvia , fazendo com que alguns observadores colocassem , de um lado, os "ricos-civilizados" e , de outro , os "pobres-selvagens". No centro das cidades , milhares de pessoas se deslocavam por um emaranhado de edifícios , percorrendo longo trajetos a pé ou nos recém-criados transportes coletivos. À multidão misturavam-se a nova pequena burguesia dos escritórios e lojas de departamento , funcionários públicos, trabalhadores urbanos e inválidos, de superpovoamento , insalubridade e proliferação dos cortiços. Junto ao centro da cidade, bairros miseráveis tinham péssimas condições de moradia e uma superpopulação marcada pelo desenraizamento - perda de costumes seculares causada pela migração. Nesse amontoado de moradias precárias, com uma só peça e poucos móveis e objetos , a ausência de serviços públicos básicos, como saneamento e abastecimento de água , aumentava ainda mais os riscos decorrentes da poluição do ar e das águas , provocando , por exemplo, o aparecimento de doenças respiratórias e intestinais. Contudo, não era à condição das moradias que a maioria das reivindicações operárias se dirigia. Segundo a historiadora Michelle Perrot, o operários preferiam a liberdade de morar no centro circular livremente pelo espaço público, mesmo tendo de viver em habitações precárias. Em tempos de instabilidade do mercado de trabalho, viver no centro poderia significar mais oportunidades de emprego que nas vilas operárias afastadas, ainda que estas oferecessem condições mais dignas. As principais reclamações nesses cortiços , expressas em manifestações geralmente lideradas pelas mulheres , diziam respeito ao valores dos aluguéis. Além do trabalho doméstico na manutenção da família , do transporte da água , da alimentação e da criação dos filhos, para complementar a renda familiar , as mulheres das classes populares urbanas dedicavam-se a outro serviços , Lavagem de roupas , pequenos comércios em bancas na rua , vendas de porta em porta e trabalhos ligados à entrega , faxina , cozinha e costura tornavam-nas agentes de uma economia informal , fundamental na manutenção dos lares. A tudo isso somava-se a administração do orçamento doméstico , que as deixava mais sensíveis ao problema do aumento do aluguel e do custo de vida em geral. Pontos  de água coletivos tornaram-se locais de sociabilidade , onde se discutiam diversos assuntos, como o planejamento de manifestações públicas , expressão política decisiva dessas mulheres . Ao contrário do que o ideal burguês  pregava , a princípio, o controle da circulação exterior , para elas, foi muito meno rígido. menos satisfeitos com a condição das moradias populares estavam os médicos sanitaristas .Escandalizados , esses reformadores sociais denunciavam as precárias condições de higiene e saneamento como prováveis focos de infecções . Algumas destas se alastraram e se tornaram epidemias, como as de febre tifoide e cólera. Assim, em campanha aberta , defendiam uma intervenção mais drástica  contra os cortiços e hábitos populares, que , ao seu ver, geravam outros grandes flagelos sociais, como a tuberculose, o alcoolismo e a sífilis, Grandes avenidas e bulevares foram projetados e executados , assim como outras medidas: o aumento do valor dos aluguéis , o deslocamento de bairros considerados infectos ou, até mesmo , a demolição deles, com o intuito de forçar os pobres a procurar a=habitação em outros lugares , longe do centro da cidade. com os crescente medo da revolução popular, das violentas manifestações de rua e dos ativistas urbanos , principalmente após aura experiência da Comuna de Paris, as autoridade públicas passaram a ver a boa moradia como uma chave da paz social. Soluções filantrópicas , como a construção de vilas operárias mais bem projetadas, com creches , escolas , abastecimento de água e moradias amplas, foram tentadas nesse sentido. Vários autores apontam , em diversas partes da Europa , certa melhoria nas condições de vida dos operários no final do século XIX . Nesse momento , houve uma diferenciação entre a classe operária , com emprego formal e alguns direitos garantidos , e uma massa sujeita a situações de pobreza extrema , com emprego casual e superexploração do trabalho. Durante algum tempo , as multidões continuaram assustando . Elas obrigavam os detentores do poder político , em tempo de democracia , a reorganizar suas estratégias  na direção da política de massa. 


Luz e Floração Fotoperiodismo


Foto periodismo são respostas biológicas relacionadas com a duração do dia e da noite, duração essa que varia ao longo das estações do ano. As plantas conseguem perceber essas variações por meio do fitocromo e têm a floração influenciada por elas. Logo no início dos estudos sobre fotoperiodismo, os pesquisadores achavam que o fator determinante da floração era a duração do dia. Somente depois é que verificaram que as plantas possuem um fotoperíodo crítico , relacionado com a duração do período de escuro, ou seja, com a duração da noite. Os cientistas verificaram que é a duração da noite - e não a do dia - que determina a  floração. Quanto ao fotoperiodismo , as plantas podem ser classificadas em neutras , de dias curtos e de dias longos. As plantas neutras florescem independentemente do comprimento da noite. É o caso do tomate, do feijão e do milho. As plantas de dias curtos florescem quando submetidas a um período de escuro igual ou maior que o fotoperíodo crítico. É o caso do picão , do morango, do crisântemo e das prímulas. As plantas de dias longos florescem quando submetidas a períodos de escuro inferiores ao fotoperíodo crítico . É o caso do espinafre, da alface , do trigo e da cevada. Várias pesquisas sobre floração têm demonstrado que os fitocromos localizados nas folhas é que participam da floração. Existem fortes indícios de que esses fitocromos desencadeariam a síntese de certos hormônios, os quais migrariam das folhas até a gema , através do floema , induzindo a floração. Esses hormônios são genericamente chamados de florígenos ou hormônios da floração. 


Estudo Em Laboratório



As populações formam-se e crescem graças à sua capacidade de reprodução. Se não houvesse obstáculo a esse crescimento , o número de indivíduos aumenta de forma exponencial , ou seja, em progressão geométrica. Por exemplo, em condições ideais , as bactérias reproduzem-se a cada 20 min . Se esse ritmo fosse mantido , em 15 horas haveria, a partir de uma única bactéria , uma população com mais de 1 bilhão de indivíduos e , em 36 horas , a Terra toda ficaria coberta por uma camada de bactérias. Uma comparação clássica para ajudar a visualizar a rapidez do crescimento exponencial consiste em imaginar que pudéssemos dobrar uma imensa folha de papel ao meio e repetir essa operação 42 vezes.  Ao final, o papel teria uma espessura equivalente à distância da Terra à Lua (cerca de 386.400 km). Mas esse ritmo de crescimento não se mantém por muito tempo. Diversos fatores impedem que a população continue aumentando em progressão geométrica e a levam  a atingir o equilíbrio : a quantidade de alimento , o espaço disponível , a influência de predadores e parasitas , a competição com outras populações pelos mesmos recursos, etc. Chamamos de potencial biótico ou reprodutivo a capacidade de uma população crescer em condições ideias (de espaço, alimento, temperatura , etc.) e  longe da influência de predadores, parasitas e competidores. Resistência ambiental é o nome dado ao conjunto de fatores que se opõem a esse crescimento ; ela pode ser indicada pela diferença entre o crescimento máximo possível (o potencial biótico) e o crescimento real da população nas condições naturais. Vários cientistas estudaram populações de microrganismos em laboratório e observaram que, no início , o número de indivíduos crescia de forma exponencial. Depois, a partir de certo ponto , a velocidade de crescimento diminuía até a população parar de crescer , e o número de indivíduos permanecia aproximadamente constante. O gráfico do número de indivíduos , em função do tempo é chamado de curva em S , curva sigmoide (da letra grega sigma) ou curva logística. Ele indica que as populações que estão em baixas densidades crescem inicialmente com velocidade cada vez maior ( o que caracteriza o crescimento exponencial): a população está crescendo de acordo com seu potencial biótica. À medida que a população aumenta , a resistência ambiental começa a interferir e a frear a velocidade de crescimento. A população continua a crescer , mas a uma velocidade cada vez menor. Quando a resistência do meio se equilibra com o potencial biótico, a população para de crescer (velocidade de crescimento nula) e se estabiliza (número de indivíduos permanece constantes). Curvas semelhantes foram obtidos em laboratório com culturas de outros protozoários , fungos, bactérias e até de organismos mais complexos, como a drosófila . Nesses casos , foi possível concluir que:

1- A velocidade de crescimento depende da densidade da população: a partir de certo ponto , quanto maior a densidade , menor a velocidade de crescimento;

2- Há uma densidade máxima de indivíduos, chamada de capacidade de sustentação , capacidade de suporte ou carga biótica máxima, que determinado ambiente pode sustentar. A partir daí, a população permanece mais ou menos constante , flutuando em torno desse valor. Essa flutuação acontece porque os fatores da resistência ambiental variam ao longo do tempo.


O Estado Na Economia Globalizada


As atribuições do Estado inicialmente baseavam-se na defesa do território , no bem-estar das pessoas , na garantia da propriedade e no relacionamento político e  comercial com outros Estados. Ao longo da história, essas atribuições foram aumentando. Com algumas variações de país para país , o Estado foi agregando uma série de outras funções , por exemplo:

1ª- Participação acionária em empresas dos mais variados setores;

2ª- Investimento em educação , saúde , moradia e pesquisa;

3ª- Pagamento de aposentadorias, pensões e seguro-desemprego;

4ª- Controle da circulação da moeda;

5ª- Realização de empréstimos a juros baixos e isenção de impostos para determinados grupo sociais (subsídios);

6ª- Estabelecimento de taxa de juros , que serve de base para as atividades financeiras , inclusive bancárias;

7ª- Construção e manutenção de equipamentos de infra-estrutura (rodovias , ferrovia , viadutos , portos , aeroportos , usinas e redes de distribuição de energia elétrica etc.). 

Na década de 1980  abriu-se uma nova discussão sobre o papel do Estado , por causa das cries econômico financeiras em países subdesenvolvidos e dos elevados déficits públicos de muito países. Para os teóricos das organizações financeiras internacionais (banco Mundial e FMI) e para o governo dos EUA, a crise e a nova economia globalizada exigiam um Estado que não interferisse no livre comércio , que facilitasse a atuação das grandes empresas , que cobrasse menos impostos e reduzisse seus gastos , inclusive nos setores sociais (saúde , educação , moradia , previdência ). Essas idéias e proposta foram chamadas de neoliberais. O Estado , na concepção neoliberal , deve intervir pouco na economia , procurando eliminar as barreiras com comércio internacional , atrair investimento estrangeiros e privatizar as empresas públicas. Para os neoliberais, não é o papel do Estado extrair petróleo ou minério , administrar refinarias , siderúrgicas ou participar de qualquer outro tipo de atividade econômica. Cabe ao Estado  estimular a pesquisa tecnológica para apoiar a iniciativa privada, assegurar a estabilidade econômica e facilitar o livre funcionamento do mercado. A produção de mercadorias é papel das empresas particulares. Os gastos do governo , inclusive os sociais (saúde; educação ; previdência social, por exemplo, pagamento de aposentadorias e pensões) devem ser restringidos , a fim de gerar receitas para o pagamento dos juros da dívida pública e para não acarretar déficits nas contas do governo. Além disso , a eliminação ou a modificação de alguns direito trabalhistas devem ocorrer para estimular novas contratações , uma vez que , segundo os neoliberais , os gastos das empresas com mão-de-obra acabam repassados ao preço dos produtos , que perdem competitividade no mercado internacional. Da mesma forma , os gastos do Estado em setores que amparam a sociedade (por exemplo, saúde e educação), não devem ser muito alto para que não acarretem também impostos elevados sobre as empresas e sobre a sociedade como um todo. A adoção das práticas neoliberais fez com que vários Estados enfraquecessem os mecanismos de controle da economia e das fronteiras comerciais, tornando os países subdesenvolvidos vulneráveis à atuação das grandes corporações multinacionais , originárias , em sua maioria , nos países desenvolvidos. Com isso , ampliaram-se as desigualdades (sociais e econômicas) entre os países , visto que o neoliberalismo e a livre concorrência atendem melhor os que t~em maior capacidade de investimento, tecnologia mais avançada e maior capacidade de atuação no mercado mundial, como é o caso dos países desenvolvidos. 
  

A Produção Social do Conhecimento



Todo conhecimento se desenvolve socialmente. Se quisermos conhecer e compreender como pensavam as pessoas de determinada época , precisamos saber em que meio social elas viveram, pois o pensamento de um período da história é criado pelos indivíduos em grupos ou classes, reagindo e respondendo a situações históricas de seu tempo. Se quisermos saber por que os indivíduos , grupos e classes pensam de determinada forma, porque explicam a sociedade deste ou daquele ponto de vista , precisaremos entender como os membros dessas sociedades se organizaram e se organizam para suprir suas necessidades , relacionar-se e discutir as questões que envolvem as relações sociais , as normas , os valores , os costumes , as tradições e a religiosidade. Ou seja , devermos entender como são criadas as instituições sociais , políticas e econômicas que permitem certa estabilidade social. Na maioria das sociedades , há indivíduos e grupos que defendem a manutenção da situação existente , o status quo, porque este atende a seus interesses. Assim , procuram apoiar e desenvolver formas de explicação da realidade que justifiquem a necessidade de conservar a sociedade tal como está. Há pessoas , entretanto , que querem mudar a situação existente , pois não pensam que a sociedade à qual pertencem é boa para eles e para os outros. Tais pessoas procuram explicar a realidade social destacando os problemas dela e as possibilidades de mudança para uma forma de organização que assegure mais igualdade entre os indivíduos. Aqueles que querem manter a situação existente normalmente são os que detêm o poder na sociedade; aqueles que lutam para mudá-la são os que estão em situação subalterna. Além do conflito no campo político e econômico , há um conflito de ideias entre os diferentes grupos sociais. Mas as ideias e formas de conhecimento nunca são radicalmente opostas; elas coincidem em alguns poucos e em outros não, é é isso que mantém aberta a possibilidade de diálogo. A Sociologia é uma dessas formas de conhecimento, resultado das condições sociais , econômicas e políticas do tempo em que se desenvolveu. Ela nasceu em resposta à necessidade de explicar e entender as transformações que começaram a ocorrer no mundo ocidental entre o final do século XVIII e o início do século XIX, decorrentes da emergência e do desenvolvimento da sociedade capitalista. Naquela época , a produção de alimentos e de objetos artesanais , que se concentrava no campo, passou a se deslocar para as cidades , onde começavam a se desenvolver as indústrias. Essa mudança desencadeou importantes transformações no modo de vida dos diferentes grupos sociais , afetando as relações familiares e de trabalho. Aos poucos , as normas e valores se estruturariam em novas bases , menos religiosas , estimulando o desenvolvimento de novas ideias. Grandes transformações políticas também ocorreram , no contexto do que se chama de Revolução Industrial , impulsionadas por movimentos como os da Independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa. Procurando entender essas transformações e mostrar caminhos para a resolução dos problemas por elas gerados , muitos pensadores escreveram e divulgaram suas teorias sobre a sociedade anterior e sobre a constituição da nova sociedade , que estava vivendo tantas incertezas. Criaram-se assim as bases sobre as quais a Sociologia viria a se desenvolver como uma ciência específica. Entre o fina do século XIX e início do século XX, os estudiosos que mais iriam influenciar o posterior desenvolvimento da Sociologia concentravam-se fundamentalmente em três países : França, Alemanha e Estados Unidos. Na França , vários autores desenvolveram trabalhos sociológicos importantes; entre eles , Fréderic Le Play (1806-1882) , René Worms (1869-1926) e Gabriel Tarde  (1843-1904) . O mais expressivo deles, porém , foi Émile Durkheim (1858-1917), que procurou sistematicamente definir o caráter científico da Sociologia , inaugurando uma corrente que por muito tempo seria hegemônica entre os sociólogos franceses. Na Alemanha , destacaram-se os estudos de George Simmel (1858-1918) , Ferdinand Tonnies (1859-1936) , Werner Sombart (1863-1941) , Alfred Weber (1868-1958) e Max Weber (1864-1920), este último o mais conhecido deles, pela extensão e influência de sua obra. Nos Estados Unidos da América , a Sociologia desenvolveu-se desde o final do século XIX e início do XX nas universidades de Chicago , de Colúmbia e de Harvard , principalmente . Muitos foram os sociólogos que se destacaram; entre eles , Robert E. Park (1864-1944) e George H. Mead (1863-1932). No decorrer do século XX, a Sociologia tornou-se uma disciplina mundialmente reconhecida .  Os Sociólogos estão presentes não só nas universidades , mas também nos meios de comunicação, discutindo questões específicas ou gerais que envolvem a vida em sociedade. Os mais destacados, independentemente do país de origem , ministram cursos e conferências em centros universitários de todos os continentes e têm seus livros traduzidos em muitos idiomas . No Brasil, a sociologia tem alcançado uma visibilidade muito grande, seja por causa da presença em todo território nacional de institutos de pesquisa social ou cursos de graduação e de pós-graduação, seja pela atuação de sociólogos em muitos órgãos públicos e privados ou nos meios de comunicação de massa. Assim, a Sociologia e os sociólogos estão presentes no cotidiano do país. 


Revolução Liberal Na Bélgica



A Bélgica estava unida à Holanda , no Reino dos Países Baixos, mas entre os dois países existiam notáveis diferenças : A Bélgica tinha uma economia que estava rapidamente se industrializando e seguia a religião católica ; a Holanda estava voltada ao protestantismo e sua economia centrava-se na agricultura e no comércio. No dia 25 de agosto de 1830 , um incidente ocorrido num teatro de Bruxelas precipitou os acontecimentos. O povo saiu em tumultos. O exército holandês se movimentou , mas não conseguiu conter os ânimos dos revoltosos os holandeses acabaram por se retirar e os belgas proclamaram sua independência . A Santa Aliança (Áustria , Rússia e Prússia) estava pronta a intervir e a condenar a liberdade proclamada pelos belgas. Foi realizada uma conferência internacional , na qual tomaram parte a Áustria , Rússia , a Prússia , a França e a Inglaterra. A França e a Inglaterra se colocaram ao lado dos belgas. Assim, em 1831, subia ao governo da Bélgica o príncipe Leopoldo , na condição de primeiro monarca constitucional belga. Aparentemente um reino autônomo , sob a soberania do Czar Nicolau I ( Da Rússia), a Polônia , na realidade, sofria um regime tirânico e com uma forte exploração econômica. Era compreensível que as "sociedades secretas" estendessem sua influência sobre o exército e entre os intelectuais. Em novembro de 1830 , estudantes e cadetes da Escola Militar de Varsóvia se levantaram aos gritos de "Viva a Liberdade". A Insurreição colhei de surpresa os russos e a própria nobreza polaca , que tentou dar ao movimento um caráter moderado. O destino dessa revolta dependia , em grande parte, da decisão do novo Parlamento polaco ( a Dieta) , que concedeu terras aos camponeses , que há anos desejavam possuí-las. A revolução tinha o apoio decisivo dos trabalhadores do campo. Mas a Dieta abandonou todos os planos propositadamente. O Czar envia 130.000 homens contra os revoltosos ; o exército polaco conta apenas com a metade . Por sete meses, lutaram contra os invasores. Em setembro de 1831, Varsóvia , a brava cidade , capitula. Contudo, a total independência da Polônia só aconteceu em 1855.


A Revolução Industrial


No século XVIII, as idéias políticas , econômicas e sociais que marcaram a transição do feudalismo para a Idade Moderna estavam em acelerada decadência. As propostas do iluministas que beneficiavam a burguesia encontravam cada vez mais seguidores. Na economia , o intenso desenvolvimento comercial provocou a expansão dos mercados consumidores e , por consequência , a necessidade de aumentar a produção para atender ao consumo. O papel do Estado como administrador da ordem econômica através da política mercantilista passou a ser questionado. A elite desejava o fim da política de monopólios. O poder do rei deveria ser limitado e ele não devia mais interferir na vida econômica. Só a livre empresa (proposta por Adam Smith) daria aos burgueses condições de aumentar as atividades produtivas e , portanto , seu próprio lucro. A sociedade atravessava um período de alterações profundas: a nobreza perdia seu prestígio , cada vez mais endividada junto aos banqueiros. A burguesia multiplicava suas atividades. Pequenos negociantes e proprietários de terras , que não possuíam dinheiro para expandir seus investimentos , acabavam por tornar-se dependentes da elite enriquecida , que absorvia seus pequenos concorrentes. A Inglaterra foi a primeira a passar da economia mercantilista para uma economia baseada na produção e venda de produtos industrializados. 

Vários fatores impulsionaram o desenvolvimento inglês: 

1¤- A Acumulação de capitais, conseguida através do domínio foi resultado dos Atos de Navegação, que tornaram a frota inglesa a mais potente dessa época; da atividade dos corsários, saqueando os galeões espanhóis ; da adoção da política da balança comercial favorável , que estimulava as exportações e protegia a produção nacional. Em consequência disso, a Inglaterra aumentou muito os mercados consumidores de seus produtos e se tornou a principal potência comercial da época. 

2¤- A Política de "Cercamento", adotada pelos monarcas absolutistas ingleses. Apoiados em decretos reais , os grandes senhores puderam se apoderar das terras comunais (bosques , florestas) para criarem ovelhas para a produção de lã. Essas terras pertenciam anteriormente à comunidade e nelas os camponeses podiam colher frutos e extrair madeira. Essa apropriação reduziu à miséria grande parte dos camponeses livres, que foram obrigados a vender suas pequenas propriedades, para tentarem a sorte na cidade (início do êxodo rural). 

3¤- A Utilização de Novos Inventos - No Final do Século XVII e início do século XIX , surgiram novas máquinas , que reduziram o tempo de trabalho necessário para a fabricação de novos artigos e , consequentemente , aumentaram a produção, como a máquina a vapor de James Watt (1769), utilizada no interior das minas , onde rapidamente escovava a água. Outro invento que revolucionou a produção foi a máquina de fiar de James Hargreaves (1767), imediatamente adotada pela indústria têxtil. Esses fatores , aliados ao governo parlamentarista, onde predominavam os interesses da burguesia, colocaram a Inglaterra como a primeira nação industrializada da época.


História - Qual A Sua Importância ?



Quando procuramos entender o mundo que nos rodeia , estamos procurando entender a História do nosso tempo. A história nos dá oportunidade de entender as origens da humanidade, os costumes dos diferentes grupos sociais , o progresso das ciências , da tecnologia , a criação de leis e até mesmo os erros cometidos pelos seres humanos através dos tempos , com suas ambições, guerras e autodestruições. A História é a ciência que estuda o passado , procurando melhor entender o presente. Ela investiga como aconteceu a grande aventura da humanidade sobre a Terra antes de nós , com suas esperanças e desilusões , suas alegrias e derrotadas , suas lutas e ideias. A História procura explicar como e por que , onde e quando os povos conseguiram construir sua civilização e cultura ou, no caso de alguns , como entraram em decadência. A história nos leva a conhecer o empenho dos seres humanos em todos os setores , lugares e épocas para melhor dominar as forças da natureza, transformar o ambiente geográfico , melhorar ou modificar as condições econômicas e sociais e organizar-se em sociedade. A História nos leva a  investigar a origem e o porquê das leias e a que obedecemos, dos direitos e deveres dos cidadãos , dos princípios religiosos e morais que respeitamos. Em resumo , a História investiga de onde viemos , analisa quem somos e aponta perspectivas para o futuro. Neste livro , abordamos a Idade Moderna e a Idade Contemporânea , com os grandes acontecimentos que marcaram os últimos séculos da humanidade , como o Renascimento artístico e cultural , os conflitos religiosos , o capitalismo industrial e financeiro , os sistemas e ideologias políticas desde o absolutismo até as democracias modernas , as duas grandes guerras mundial e suas consequências , o imperialismo capitalista e outros aspectos do mundo contemporâneo. Neste último século tiveram grande repercussão na história da humanidade as conquistas espaciais, os avanços da tecnologia na eletrônica , na cibernética e nas comunicações.


Pleiotropia



Pleiotropia é a capacidade que tem um único par de alelos de produzir diversos efeitos fenotípicos simultâneos no mesmo indivíduo. Você pode observar facilmente que todos os camundongos brancos são extremamente dóceis e , ao contrário, todos os camundongos cinzentos são ariscos e indomesticáveis. Não existe exceção a essa regra. A explicação está no fato de que o mesmo par de alelos que responde pela cor da pelagem nesses animais também responde pelo grau de agressividade dos mesmos. Esse fenômeno foi observado inicialmente em ratos. Verificou-se que, entre eles , nasciam ocasionalmente indivíduos portadores de numerosas deformidades (traquéia estreita, costelas defeituosas , pulmões com pouca elasticidade, coração aumentado de volume , narinas imperduradas, focinho achatado etc.) . As experiências de cruzamento os mesmos resultados, mostrando tratar-se de herança por gene recessivo. Como o cortejo de características era indissociável, ocasionando a manifestação de um "tudo ou nada" , concluiu-se que havia a atuação de único par de genes , cuja função certamente inibiria alguma reação inicial. A partir dessa reação , outras reações ficariam impedidas de acontecer, justificando o conjunto de anomalias. Nas ervilhas , o mesmo par de genes que determina a manifestação de flores brancas também condiciona o aparecimento de um envoltório branco nas sementes. Na espécie humana , constituem exemplos de pleiotropia a síndrome de Laurene-Moon Biedl (obesidade , demência a hipoplasia genital por ação de um único par de alelos) e a síndrome de Marfan (Aracnodactilia , defeitos cardíacos e oculares , também por ação de um único par de genes). Em ratos , um gene pleiotrópico determina a cor da pelagem (com dominância para amarelo) e a letalidade (recessivo , só tendo expressividade em homozigose). É possível que muitos casos de aborto na espécie humana sejam explicados pela atuação de genes letais , como no caso dos ratos. O gene pleiotrópico pode "estimular" ou "impedir" a ocorrência de alguma reação inicial a partir da qual outras reações se desencadeiam ou fica impossibilitadas de acontecer.


A Jornada de Trabalho No Capitalismo no Século XIX



"Que é uma jornada de trabalho?" De quanto é o tempo durante o qual o capital pode consumir a força de trabalho, cujo valor diário ele paga? Por quanto tempo pode ser prolongada a jornada de trabalho além do tempo de trabalho necessário à reprodução dessa mesma força de trabalho? A essas perguntas , viu-se que o capital responde: a jornada de trabalho compreende diariamente as 24 horas completas, depois de descontar as poucas horas de descanso, sem as quais a força de trabalho fica totalmente impossibilitada de realizar novamente sua tarefa. Entende-se por si, desde logo, que o trabalhador , durante toda a sua existência , nada mais é que força de trabalho e que , por isso, todo o seu tempo disponível é por natureza e por direito tempo de trabalho , portanto,  pertencente à autovalorização do capital. Tempo para a educação humana , para o desenvolvimento intelectual, para o preenchimento de funções sociais , para o convívio social , para o jogo livre das forças vitais físicas e espirituais , mesmo o tempo livre de domingo- e mesmo no país do sábado santificado- pura futilidade! [...] Em vez da conservação normal da força de  trabalho determinar aqui o limite da jornada de trabalho é , ao contrário, o maior dispêndio possível diário da força de trabalho que determina, por mais penoso e doentiamente violento, o limite do tempo de descanso do trabalhador. O capital não se importa com a duração de vida da força de trabalho.  O que interessa a ele, pura e simplesmente , é um maximum de força de trabalho que em uma jornada de trabalho poderá ser feito fluir.  [...] A produção capitalista , que é essencialmente produção de mais-valia , absorção de mais-trabalho, produz , portanto, com o prolongamento da jornada de trabalho não apenas a atrofia da força de trabalho, a qual é roubada de suas condições normais , morais e físicas, de desenvolvimento e atividade. Ela produz a exaustão prematura e o aniquilamento da própria força de trabalho. Ela prolonga o tempo de produção do trabalhador num prazo determinado mediante o encurtamento  de seu tempo de vida.

-Marx, Karl. O Capital: Crítica da Economia Política. São Paulo: Abril Cultural, 1983. V.1.p. 211-2.